A história do Brasil contada por lentes do cinema. Assim poderíamos definir qualquer produção com referências tupiniquins. Mas aqui o caso é outro. Não é um filme que remonta casos e contextos de outrora. São quatro. Por isso, é fácil dizer que o brasiliense que for ao cinema neste fim de semana verá seu passado.
Para Brasília, um presente. Na véspera de completar 47 anos, a capital do país ganha em suas telonas documentário que se confunde com sua existência. Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro explora a visão crítica do arquiteto que ajudou a erguer o sonho de JK. Em 90 minutos, o diretor Fabiano Maciel descobre o distanciamento com o qual Niemeyer encara sua própria obra. Crítico do ângulo reto, o arquiteto explica, como em uma sala de aula, cada linha que desenhou. Além disso, demonstra-se fiel aos seus princípios.
O documentário foi exibido pela primeira vez na capital em 2005, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), em caráter hour concour. Na época, o filme foi bastante aplaudido (leia a crítica). Dessa vez, o público pode conferir a obra de graça. De hoje até quinta-feira da semana que vem, o documentário pode ser assistido no Embracine (CasaPark), sem cobrança de entrada.
Com forte conteúdo político, o aclamado Batismo de Sangue é mais uma produção que ganha vida a partir das lembranças de um ativista massacrado pela ditadura militar brasileira. Dessa vez, o filme é baseado em livro homônimo escrito por Frei Betto, frade dominicano que viveu intensamente os anos de chumbo.
Nele, a luta de padres, interpretados por Caio Blat (Frei Titto) e Daniel de Oliveira (Frei Betto), que ajudam guerrilheiros no combate a militares. Mas acabam presos e torturados. Um deles, Frei Titto, não resiste aos maus tratos e se suicida na prisão. O drama, dirigido por Helvécio Ratton, foi testado no FBCB de 2006 e ganhou estauetas, além da adoração do público.
Outra produção brasileira reverencia a vida na era JK. Veias e Vinhos, nova empreitada do diretor João Batista de Andrade (O Caso Manteucci e Vida de Artista: José Inácio, Santeiro), adota cenário político dos anos 50 para narrar a história de uma família que se muda para a capital goiana. Lá, abrem um armazém, mas são vítimas da truculência do capitão local, resistindo para não sucumbir a nova vida. No elenco, Leonardo Vieira, Simone Spoladore, Eva Wilma e José Dumont.
O quarto longa-metragem que remonta a história do Brasil fala de música. Sambando nas Brasas, Morô, de Elizeu Ewald, mostra as dificuldades de um músico que chega ao Rio de Janeiro na década de 50, em meio ao conturbado ambiente político. O filme mescla ficção e documentário. O elenco traz Marcello Novaes, Tracy Segal e Clemente Viscaino.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
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