domingo, 29 de abril de 2007
A natureza fala: a estação das folhas secas e falantes
Fomos convidadas a ficar em silêncio, passeando, olhando em nossa volta, e nesse passeio iríamos recolher algum elemento da natureza que chamasse nossa atenção.
Depois de algum tempo nos reunimos na sala, e fomos falando sobre o que sentíamos daqueles "presentes". A natureza falou para todas nós. E todas as mulheres fizeram desse momento, um momento de pura poesia. Quisera ter gravado. Coloco aqui um dos trechos.
- Mary escolheu folhas secas e uma folha verde. Ela nos contou que ao passear pela natureza algo lhe chamou atenção. Ao pisar sobre as folhas secas, elas faziam barulho, mas observou que elas não quebravam. Por isso resolveu recolher uma delas como presente. Ela resolveu também pegar uma folha verde que estava ao lado, e que ao pisar não fazia barulho. Ela quis saber o que a natureza falava pra ela. Como tínhamos também falado sobre a Menopausa, do processo natural de amadurecimento e envelhecimento, muitas de nós olhávamos para as folhas secas como esse processo natural de envelhecimento. Nos víamos como estas folhas secas! Tal como elas, passamos por muitas estações. Refletimos sobre a beleza de cada estação. A folha verde tem sua beleza, mas a folha seca também. Nossos olhos tem que aprender a ver a beleza de cada estação: primavera, outono e inverno e verão. E para nossa alegria, descobrimos que as folhas secas falam. Não temos a mesma beleza das folhas verdes, temos outra beleza e temos muitas e muitas histórias para contar.
Grupo de mulheres 24 de abril 2007
Presentes
Hoje foi um dia de presentes. Vou falar deles, e quem sabe, você o recebe também como seu presente do dia.
Hoje fui de ônibus para o grupo de mulheres. Eu estava me preparando para estar no grupo de forma especial. Quando eu vou de carro, eu tenho que estar atenta a tantas coisas por causa do trânsito, que quando eu quero refletir e meditar vou de ônibus. Já recebo um bom presente quando eu vejo e compartilho com as pessoas como passageira. Andar o tempo todo de carro, me faz sentir distanciada das pessoas.
Bem, peguei meu livro “ Resgatando a Magia da Vida” de Joyce C. Mills, que passei curtindo nas minhas últimas férias e comecei a me inspirar. Chegando no grupo, tive a alegria de ver muitas pessoas reunidas. Éramos em torno de 30 mulheres. Tudo estava conspirando para ser um belo encontro. Escolhi a passagem do livro que tem como título: Minha caneca de alegria. Vou contar aqui para vocês:
“Todos os dias de manha, eu me dirijo lentamente até a cozinha e faço minha caneca de café para acordar. Hummm... o cheiro do café fresco enche o ar enquanto eu assisto, um pouco impaciente, o líquido rico e escuro começar a pingar do filtro para a jarra de vidro....Para mim é uma caneca de pura alegria de despertar. Pensando nisso, não seria bom começar e terminar cada
dia com um golinho de uma caneca cheia de alegria? Talvez isto nos levasse a um outro tipo de sentimento de despertar.Quantas vezes passamos pelo dia sem nem pensar sobre os presentes que podemos ter recebico naquele dia... Na maioria das vezes, esses presentes simples passam desapercebidos e continuamos a manter nosso foco sobre aquilo que não vai bem. Nosso convite é para lembrá-lo de pegar sua caneca de alegria todos os dias, e decidir o que há dentro dela ou com que voce vai querer enchê-la".
Refletimos sobre como, todos os dias, recebemos presentes da vida e não damos o devido valor a esses presentes. Muitas vezes, percebemos mais as coisas que nos faltaram, o que
não deu certo, as nossas dificuldades, do que as coisas boas, que deram certo e que conseguimos realizar.
Todos os dias recebemos presentes da vida. Pode ser um bom dia, um sorriso, um elogio de um amigo, um abraço apertado, ou algo que você se deu. Receber presentes com alegria é uma aprendizagem importante que temos que fazer. Muitas vezes, ao recebermos um presente falamos assim: Mais você não precisava ter essa preocupação comigo; eu não mereço isso; você gastou muito dinheiro; ou para filhos: o que você está querendo ganhar com isso? O que você está aprontando?
Muitas vezes na vida não aprendemos a receber. Não nos achamos merecedoras de atenção, cuidado, presentes. Mais, se quando ganhamos um presente, nos permitirmos recebê-lo e expressamos nossos sentimentos falando para quem nos deu sobre a nossa alegria e satisfação, estamos na realidade presenteando de volta. Estamos qualificando a pessoa que nos presenteou como uma pessoa competente, que tem algo para nos oferecer, que nos dá alegria ou satisfação. Estamos dizendo que ela tem bom gosto ou que ele foi muito amoroso ao nos dar um presente, ou ao se lembrar de nós. Portanto, receber presentes com alegria é uma forma de confirmar a competência de quem nos ama, de quem nos presenteia.
Vou contar aqui um pouco do momento mágico que aconteceu. Cada uma de nós, mulheres, falamos sobre um presente que recebemos no dia de hoje. Eis alguns dos presentes:
- Mary falou que o marido tinha lhe telefonado de manhã lembrando-lhe de que ela não esquecesse de vir ao grupo de mulheres. E aprendeu a fazer um elogio ao marido: "Como você foi amoroso me lembrando de ir ao grupo hoje. Eu me senti muito amada". -Suzan nos deu um presente maravilhoso. No grupo do mês passado, ela partilhou conosco sua dificuldade de ter orgasmo. Alías, ela nunca tinha tido um orgasmo, e isso estava atrapalhando muito seu casamento. Ela nos contou que seu marido é muito carinhoso, mais que suas experiências antigas, tinham lhe deixado essa marca. Ela nos presenteou contando que tinha tido seu primeiro orgasmo. Batemos palma, fizemos a maior festa. Ela fez um elogio para si : "Como eu fui competente me permitindo ter orgasmo, como eu me sinto vitoriosa". Como foi importante para ela ter compartilhado sua dificuldade de ter orgasmo!
Acho que sentir que outras mulheres lhe confirmavam como uma pessoa com direitos a uma sexualidade prazeiroza, sem vergonhas e culpas, foi um marco decisivo. -
Nelza nos contou que hoje tinha ganho um presente muito especial. Apesar da vergonha de contar, ela nos disse que fazia 30 anos que ela não recebia um elogio assim. Estava indo ao encontro de sua carona pra vir ao grupo, quando percebeu um jovem adulto andando próxima a ela. Ele disse : “Como essa calça comprida lhe fica bem.” Ela silenciou-se e seguiu de olhos baixos. Ele disparou outro elogio: Como você é bonita. E no final, quando ela estava atravessando a rua, ele gritou de longe. “Tchau princesa, tenha uma boa tarde.” Nelza não conseguia entender como um jovem poderia achar uma mulher madura, de cabelos brancos, bonita e sensual.
Todo o grupo ficou alvoroçado querendo saber aonde a Nelza tinha comprado aquela calça comprida ou querendo saber a marca da calça. (Risos).
Temos que aprender a nos ver, mulher madura como bonitas e sensuais. Cada estação tem sua beleza. Temos cabelos brancos, alguns pintados, rugas, marcas de expressão, e outras coisas mais. É a beleza de nossa estação.
Cida me deu de presente um cachecol vermelho. Enquanto ela fazia esse cachecol pensava em mim. Senti nele toda o carinho dela. Lembramos do filme "Como água pra Chocolate" em que a mulher, enquanto cozinha, coloca todos os seus sentimentos, e por isso enquanto as pessoas comem, sentem o mesmo que ela sentia ao cozinhar. Quando ela estava triste, choravam, quando estava alegre, riam muito. E quando ela estava apaixonada, todos suspiravam de paixão. Esse filme retrata bem um espaço tradicional da feminilidade, que é a cozinha e o cozinhar para os outros, mais que pode ser resignificado não mais como um "eu tenho que cozinhar para os outros", para um espaço onde podemos falar: "eu tenho prazer em cozinhar" pois foi opção minha. Fazer um cachecol, é também uma dessas artes femininas onde podemos expressar nossos talentos, resignificando como um espaço de trocas e compartilhamento.
Agradecimento a Carmen, minha filha querida
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Cinema - teste
Para Brasília, um presente. Na véspera de completar 47 anos, a capital do país ganha em suas telonas documentário que se confunde com sua existência. Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro explora a visão crítica do arquiteto que ajudou a erguer o sonho de JK. Em 90 minutos, o diretor Fabiano Maciel descobre o distanciamento com o qual Niemeyer encara sua própria obra. Crítico do ângulo reto, o arquiteto explica, como em uma sala de aula, cada linha que desenhou. Além disso, demonstra-se fiel aos seus princípios.
O documentário foi exibido pela primeira vez na capital em 2005, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), em caráter hour concour. Na época, o filme foi bastante aplaudido (leia a crítica). Dessa vez, o público pode conferir a obra de graça. De hoje até quinta-feira da semana que vem, o documentário pode ser assistido no Embracine (CasaPark), sem cobrança de entrada.
Com forte conteúdo político, o aclamado Batismo de Sangue é mais uma produção que ganha vida a partir das lembranças de um ativista massacrado pela ditadura militar brasileira. Dessa vez, o filme é baseado em livro homônimo escrito por Frei Betto, frade dominicano que viveu intensamente os anos de chumbo.
Nele, a luta de padres, interpretados por Caio Blat (Frei Titto) e Daniel de Oliveira (Frei Betto), que ajudam guerrilheiros no combate a militares. Mas acabam presos e torturados. Um deles, Frei Titto, não resiste aos maus tratos e se suicida na prisão. O drama, dirigido por Helvécio Ratton, foi testado no FBCB de 2006 e ganhou estauetas, além da adoração do público.
Outra produção brasileira reverencia a vida na era JK. Veias e Vinhos, nova empreitada do diretor João Batista de Andrade (O Caso Manteucci e Vida de Artista: José Inácio, Santeiro), adota cenário político dos anos 50 para narrar a história de uma família que se muda para a capital goiana. Lá, abrem um armazém, mas são vítimas da truculência do capitão local, resistindo para não sucumbir a nova vida. No elenco, Leonardo Vieira, Simone Spoladore, Eva Wilma e José Dumont.
O quarto longa-metragem que remonta a história do Brasil fala de música. Sambando nas Brasas, Morô, de Elizeu Ewald, mostra as dificuldades de um músico que chega ao Rio de Janeiro na década de 50, em meio ao conturbado ambiente político. O filme mescla ficção e documentário. O elenco traz Marcello Novaes, Tracy Segal e Clemente Viscaino.