terça-feira, 21 de agosto de 2007

Os tres cabelos de ouro- o colo que devemos receber para recuperar nossas forças

Hoje foi mais um grupo de mulheres. Antes de sair de casa, preparei-me espiritualmente para fazer esse encontro, nessa viagem de compartilhamento com outras mulheres, minhas irmãs. Procurei meus livros, meus guias e hoje o escolhido foi: Mulheres que correm com os lobos. Mentalizei e abri a página. Veio o conto: Os três cabelos de ouro.
Ao chegar no grupo, nos comprimentamos com abraços e numa grande roda, falei que gostaria de contar-lhes um conto. Esse conto estava num livro de uma mulher que escrevia sobre nós mulheres e o caminho para encontrar nossa natureza selvagem, instintiva. O livro chama-se "As mulheres que correm com os lobos" da Esther Pinkola.
Os lobos falam dessa natureza selvagem. Do eu mais profundo das mulheres, antes de sermos domesticadas. Ela fala que precisamos nos encontrar com essa natureza instintiva para não perdermos nossa alma.
Esse conto fala que "Numa noite escura, onde o ceú estava muito escuro, sem luz, um homem velho corria na floresta, cansado, penetrando mata adentro, os galhos cortando seu rosto, e lhe maltratando seu corpo. Ele andava quase sem forças. Até que num determinado momento ele avistou uma casa e foi se arrastando para ela. Quando ele chegou na porta, só teve tempo para tocar. Assim que a porta abriu-se, ele caiu no chão da sala desmaiado. Uma mulher que estava na lareira, próxima ao fogo, se esquentando, abriu a porta e ao ver o velho desmaiado, pegou-lhe no colo e levando-o perto do fogo, acalentou-o por várias horas, por toda a noite. Perto da manhã, ele já tinha se restabelecido, e pouco a pouco, ele ia se transformando e se tornando um belo jovem. A mulher forte continuava a embalá-lo. E quando o dia amanheceu, estava em seus braços um menino lindo dos cabelos dourados da cor do milho. Ela pegou sua cabeleira e arrancou-lhe 3 fios de cabelo. Ela jogou-os no chão e estes tirintaram. Timm,,, trim,,, trim....
Então o dia amanheceu. O menino levantou-se do seu colo e antes de passar pela porta, olhou para ela, deu-lhe um belo sorriso, correu para manhã e se tornou um sol brilhante. "
Esse conto fala da recuperação da nossa energia, do nosso potencial criativo. O velho na floresta simboliza o momento quando nos sentimos cansados e perdemos o nosso rumo. Caminhamos sem energia, para lugar nenhum.
Precisamos então de nos cuidarmos, de nos acalentarmos, de procurarmos ajuda de pessoas que possam nos acalentar e dar suporte para nossa recuperação. Mais não devemos procurar essa ajuda numa relação amorosa, porque não estamos pronto para compartilharmos nossa vida erótico-amorosa. Nesse momento precisamos de colo, de recuperar nossas forças em outras relações que possam nos recuperar.
A noite escura representa o momento onde nosso inconciente comanda e perdemos o controle de nossas escolhas conscientes.
Quando nos recuperamos, podemos sair pela vida afora, caminhando para outros rumos, agora restabelecidos, reabastecidos de energia.
Ao terminar de falar, a Nice falou que ela se encontrava assim. Sem força, sem energia, desesperada, perdida. Ela se sentia muito só. Seus filhos estavam com o marido e ela estava se sentindo muito mal. Ao visitar sua filha pequena de 8 anos descobriu que ela estava doente. Ela queria ter ficado com ela, cuidando-lhe. Mais não podia porque ela estava sob a guarda de seu ex-marido e este não permitia-lhe de ficar com ela nesse dia. Nice falou-nos de como sentia falta de acordar e levantar cedo para fazer-lhes o café da manhã e levá-los para o colégio. Toda sua vida tinha sido organizada em função deles, e agora, que ela não estava mais cotidianamente com eles, não sabia o que fazer. Sentia-se muito culpada e com um vazio muito grande. Tentou suicídio com um monte de remédios. Escapou por pouco.
Lembrei-me de uma carta de tarot- A Torre-"- que fala que em alguns momentos da vida, sentimos que perdemos tudo. As vezes, em consequencia de uma separação, a perda da guarda dos filhos, de uma casa, de um carro, de uma falencia ou um desemprego. É com certeza uma dor muito grande. Mais temos muito que aprender com essas perdas. Muitas vezes ela representa a oportunidade de aprendermos e reavaliarmos novamente nossa vida e descobrirmos o que realmente nos sustenta. Muitas vezes, vivemos em função dos outros. Colocamos nossa felicidade sobre os filhos ou sobre nosso companheiro, ou sobre um trabalho etc. Quando o perdemos, temos que nos voltarmos para nós mesmo- o caminho na noite escura- o inconciente- para buscarmos o nosso rumo. Para buscarmos dentro de nós mesmos, nosso esqueleto: o que nos deixa em pé, aquilo que nos sustenta enquanto ser, enquanto sujeito. Se não tivermos esqueleto, sempre corremos o risco de desabarmos.
Depois dela, a Dalva falou também de seu desespero, pois também sentia-se perdendo sua família. Seu marido e suas filhas. Não tinha trabalho. Casou com 14 anos, com um homem de 27, e desde então tinha vivido em função dele e das filhas. Não acreditava em si mesma. Dalva não ouvia a sua voz. Dalva só escutava a voz negativa dos outros tirando a sua força. "Ela não era capaz de conseguir emprego. Ela não tinha responsabilidade para fazer nada, para tocar sua vida sem eles, etc". Era só isso que ela repetia. Ela acordava cedo, fazia comida para as filhas, arrumava a casa, lavava, passava roupa e saia para a rua. Passava o dia todo fora de casa, perambulando pela casa dos outros ou pela rua. Dalva estava perdida , sem rumo, tal como o velho na noite escura. A Dalva estava sozinha em BSB. Descobrimos que a Dalva tem uma mãe que é acolhedora e amorosa. Lhe sugerimos que viajasse para ficar nos braços de sua mãe, se acalentando, até que se sentisse reabastecida, recuperada.
Outras mulheres falaram. Estamos recuperando a nossa voz, a identidade de mulheres adultas, que ficam em cima de seus próprios pés. Da mulher que tem contato com sua natureza selvagem, que reencontrou o seu esqueleto.
Hoje foi uma grande viagem, nossa, juntas, partilhando em frente ao fogo, nos acalentando, uivando para os lobos e encontrando a nossa natureza selvagem.

domingo, 12 de agosto de 2007

Colocando nossos limites. Vive la diference!

Essa semana me percebi trabalhando muito meus limites.
Colocar nossos limites, significa que não colocamos limites em ninguem. Ninguem muda ninguem. Temos que mudar nosso comportamento e colocar nossos limites.
Como fazemos isso na prática?
Se meu marido é exigente, violento; eu sou permissiva. Ele não tem limites e age com violência ;e eu não tenho limites e ajo passivamente.
Principalmente, nós mulheres, fomos treinadas a agir passivamente. Habitualmente não colocamos nossos limites na relação como nosso companheiro e com nossos filhos. Muitas vezes também levamos esse comportamento para a vida profissional.
Eu percebo comportamentos de falta de limites, em agir, sobretudo. Falamos muito, reclamamos muito, cobramos muito, que é uma forma de não agir. É uma conduta infantilizante. É um comportamento "feminino" daqueles de mulheres tradicionais.
No trabalho, muitas vezes, nos comportamos como se tivéssemos em casa. Passamos a cuidar dos outros, a administrar, a fazer pelos homens, a nos comportar como se fossémos secretárias, etc.
Agir implica em tomada de atitude, sair da passividade, entrar numa esfera de decisão. As mulheres, em geral, foram educadas para obedecer, agir sob comando. Eu me percebo com esta dificuldade. Me ensinaram a não ter confiança em mim mesmo para conduzir, liderar, tomar iniciativas, administrar. Isso assusta. Mete medo. Se o homem erra, não tem problema. Se nós erramos, nos culpamos, achamos isso um fracasso e achamos que eles não tem que tolerar nossos erros. Vamos dar um exemplo clássico.
Um casal vai ao cinema. Eles conversam para decidir qual filme vão assistir. Se o homem escolhe o filme, por que faz mais o seu estilo, os dois vão ao cinema. Se o filme for bom ótimo. Se for mal, não tem problema. Os dois saem discutindo sobre isso, e mesmo que não tenha sido o filme que ela escolheu e sim ele, não há problema. Vamos fazer a situação inversa. Se for a mulher que tenha escolhido o filme, ele sai reclamando da "escolha dela e não do filme" e ela se sente desencorajada para fazer nosvas escolhas.
Vamos treinar o agir. Vamos nos permitir experimentar coisas novas, errar e fracassar, se necessário, para aprender. Todo crescimento se faz com erros e acertos, com tentativas e erros. Refletimos após e então crescemos.
Viva o erro. Viva a ação e novas posições diante da vida. Não vamos deixar de ser feminina, de ser mulher, de ser amorosas. Ao contrário, vamos ser verdadeiras e vamos vivenciar mais ainda nosso potencial.
Vive la diference!.

terça-feira, 29 de maio de 2007

A aprendizagem de Belo Horizonte

Nesse final de semana fui a Belo Horizonte para fazer um curso de Hipnose com o Michael Yapko. Fomos num grande grupo de amigos. Da nossa turma só não foi a Rose. Sentimos muito sua falta. Da próxima vamos tentar arrastá-la. Eu, Andréa, Maritza, Raquel, Gabriela, Olavo, Marizélia, Juliana, Ana Paula e Marta. Ficamos quase todos no mesmo hotel. Eu curti muito ficar no quarto com a Andréa. Além de carregar consigo toda a tecnologia que nos facilitou a vida, pois ela gravou muita coisa do curso, ainda colocava musicas de relaxamento e incensos maravilhosos pra gente dormir. Recriava aquele ambiente caseiro e zen necessário no final do dia.
Esse encontro aproximou bastante a nossa turma e estreitou a amizade entre todas nós.
Eu acho esse nosso grupo maravilhoso. Me encanto de conhecer pessoas tão novas e tão maduras e amorosas. Estou amando nosso grupo.
E quantas aprendizagens fizemos.
Compartilho com voces algumas aprendizagens.

domingo, 29 de abril de 2007

A natureza fala: a estação das folhas secas e falantes

Nesse mesmo Dia dos Presentes, fomos passear na natureza.
Fomos convidadas a ficar em silêncio, passeando, olhando em nossa volta, e nesse passeio iríamos recolher algum elemento da natureza que chamasse nossa atenção.
Depois de algum tempo nos reunimos na sala, e fomos falando sobre o que sentíamos daqueles "presentes". A natureza falou para todas nós. E todas as mulheres fizeram desse momento, um momento de pura poesia. Quisera ter gravado. Coloco aqui um dos trechos.
- Mary escolheu folhas secas e uma folha verde. Ela nos contou que ao passear pela natureza algo lhe chamou atenção. Ao pisar sobre as folhas secas, elas faziam barulho, mas observou que elas não quebravam. Por isso resolveu recolher uma delas como presente. Ela resolveu também pegar uma folha verde que estava ao lado, e que ao pisar não fazia barulho. Ela quis saber o que a natureza falava pra ela. Como tínhamos também falado sobre a Menopausa, do processo natural de amadurecimento e envelhecimento, muitas de nós olhávamos para as folhas secas como esse processo natural de envelhecimento. Nos víamos como estas folhas secas! Tal como elas, passamos por muitas estações. Refletimos sobre a beleza de cada estação. A folha verde tem sua beleza, mas a folha seca também. Nossos olhos tem que aprender a ver a beleza de cada estação: primavera, outono e inverno e verão. E para nossa alegria, descobrimos que as folhas secas falam. Não temos a mesma beleza das folhas verdes, temos outra beleza e temos muitas e muitas histórias para contar.

Grupo de mulheres 24 de abril 2007

Grupo de mulheres 24 de abril de 2007

Presentes

Hoje foi um dia de presentes. Vou falar deles, e quem sabe, você o recebe também como seu presente do dia.

Hoje fui de ônibus para o grupo de mulheres. Eu estava me preparando para estar no grupo de forma especial. Quando eu vou de carro, eu tenho que estar atenta a tantas coisas por causa do trânsito, que quando eu quero refletir e meditar vou de ônibus. Já recebo um bom presente quando eu vejo e compartilho com as pessoas como passageira. Andar o tempo todo de carro, me faz sentir distanciada das pessoas.

Bem, peguei meu livro “ Resgatando a Magia da Vida” de Joyce C. Mills, que passei curtindo nas minhas últimas férias e comecei a me inspirar. Chegando no grupo, tive a alegria de ver muitas pessoas reunidas. Éramos em torno de 30 mulheres. Tudo estava conspirando para ser um belo encontro. Escolhi a passagem do livro que tem como título: Minha caneca de alegria. Vou contar aqui para vocês:

“Todos os dias de manha, eu me dirijo lentamente até a cozinha e faço minha caneca de café para acordar. Hummm... o cheiro do café fresco enche o ar enquanto eu assisto, um pouco impaciente, o líquido rico e escuro começar a pingar do filtro para a jarra de vidro....Para mim é uma caneca de pura alegria de despertar. Pensando nisso, não seria bom começar e terminar cada
dia com um golinho de uma caneca cheia de alegria? Talvez isto nos levasse a um outro tipo de sentimento de despertar.Quantas vezes passamos pelo dia sem nem pensar sobre os presentes que podemos ter recebico naquele dia... Na maioria das vezes, esses presentes simples passam desapercebidos e continuamos a manter nosso foco sobre aquilo que não vai bem. Nosso convite é para lembrá-lo de pegar sua caneca de alegria todos os dias, e decidir o que há dentro dela ou com que voce vai querer enchê-la".



Refletimos sobre como, todos os dias, recebemos presentes da vida e não damos o devido valor a esses presentes. Muitas vezes, percebemos mais as coisas que nos faltaram, o que
não deu certo, as nossas dificuldades, do que as coisas boas, que deram certo e que conseguimos realizar.
Todos os dias recebemos presentes da vida. Pode ser um bom dia, um sorriso, um elogio de um amigo, um abraço apertado, ou algo que você se deu. Receber presentes com alegria é uma aprendizagem importante que temos que fazer. Muitas vezes, ao recebermos um presente falamos assim: Mais você não precisava ter essa preocupação comigo; eu não mereço isso; você gastou muito dinheiro; ou para filhos: o que você está querendo ganhar com isso? O que você está aprontando?

Muitas vezes na vida não aprendemos a receber. Não nos achamos merecedoras de atenção, cuidado, presentes. Mais, se quando ganhamos um presente, nos permitirmos recebê-lo e expressamos nossos sentimentos falando para quem nos deu sobre a nossa alegria e satisfação, estamos na realidade presenteando de volta. Estamos qualificando a pessoa que nos presenteou como uma pessoa competente, que tem algo para nos oferecer, que nos dá alegria ou satisfação. Estamos dizendo que ela tem bom gosto ou que ele foi muito amoroso ao nos dar um presente, ou ao se lembrar de nós. Portanto, receber presentes com alegria é uma forma de confirmar a competência de quem nos ama, de quem nos presenteia.

Vou contar aqui um pouco do momento mágico que aconteceu. Cada uma de nós, mulheres, falamos sobre um presente que recebemos no dia de hoje. Eis alguns dos presentes:
- Mary falou que o marido tinha lhe telefonado de manhã lembrando-lhe de que ela não esquecesse de vir ao grupo de mulheres. E aprendeu a fazer um elogio ao marido: "Como você foi amoroso me lembrando de ir ao grupo hoje. Eu me senti muito amada". -Suzan nos deu um presente maravilhoso. No grupo do mês passado, ela partilhou conosco sua dificuldade de ter orgasmo. Alías, ela nunca tinha tido um orgasmo, e isso estava atrapalhando muito seu casamento. Ela nos contou que seu marido é muito carinhoso, mais que suas experiências antigas, tinham lhe deixado essa marca. Ela nos presenteou contando que tinha tido seu primeiro orgasmo. Batemos palma, fizemos a maior festa. Ela fez um elogio para si : "Como eu fui competente me permitindo ter orgasmo, como eu me sinto vitoriosa". Como foi importante para ela ter compartilhado sua dificuldade de ter orgasmo!
Acho que sentir que outras mulheres lhe confirmavam como uma pessoa com direitos a uma sexualidade prazeiroza, sem vergonhas e culpas, foi um marco decisivo. -
Nelza nos contou que hoje tinha ganho um presente muito especial. Apesar da vergonha de contar, ela nos disse que fazia 30 anos que ela não recebia um elogio assim. Estava indo ao encontro de sua carona pra vir ao grupo, quando percebeu um jovem adulto andando próxima a ela. Ele disse : “Como essa calça comprida lhe fica bem.” Ela silenciou-se e seguiu de olhos baixos. Ele disparou outro elogio: Como você é bonita. E no final, quando ela estava atravessando a rua, ele gritou de longe. “Tchau princesa, tenha uma boa tarde.” Nelza não conseguia entender como um jovem poderia achar uma mulher madura, de cabelos brancos, bonita e sensual.
Todo o grupo ficou alvoroçado querendo saber aonde a Nelza tinha comprado aquela calça comprida ou querendo saber a marca da calça. (Risos).
Temos que aprender a nos ver, mulher madura como bonitas e sensuais. Cada estação tem sua beleza. Temos cabelos brancos, alguns pintados, rugas, marcas de expressão, e outras coisas mais. É a beleza de nossa estação.

Cida me deu de presente um cachecol vermelho. Enquanto ela fazia esse cachecol pensava em mim. Senti nele toda o carinho dela. Lembramos do filme "Como água pra Chocolate" em que a mulher, enquanto cozinha, coloca todos os seus sentimentos, e por isso enquanto as pessoas comem, sentem o mesmo que ela sentia ao cozinhar. Quando ela estava triste, choravam, quando estava alegre, riam muito. E quando ela estava apaixonada, todos suspiravam de paixão. Esse filme retrata bem um espaço tradicional da feminilidade, que é a cozinha e o cozinhar para os outros, mais que pode ser resignificado não mais como um "eu tenho que cozinhar para os outros", para um espaço onde podemos falar: "eu tenho prazer em cozinhar" pois foi opção minha. Fazer um cachecol, é também uma dessas artes femininas onde podemos expressar nossos talentos, resignificando como um espaço de trocas e compartilhamento.